Projeto Genesis #003: A Grande Verdade

                      Ano: I
Volume: I
Número: 3
Título Original: A grande verdade.
Data de Publicação: 26 de Agosto de 2022.

Argumento: Victor Caparica.
Roteiro: Arthur Malaspina, Caio Gomes, Letícia Mazzoncini, Norbert Caparica e Suzan Witney.
Arte: John Romita Jr.

Capa: Dia. Na sala de reuniões da base de operação, Jim Glaston está sentado em uma cadeira com o cotovelo direito apoiado na bancada de computadores e segurando um copo de whisky. Ao seu redor, Olivia, Heitor, Xipil, Paola e Hal estão em pé, de braços cruzados ou com as mãos na cintura, olhando para ele com expressões levemente espantadas. No canto da sala, duas malas de viagem estão no chão. No maior monitor da bancada estão linhas de informação ao lado da imagem de busto de uma pessoa usando roupa e máscara brancas. As letras ISC estão legíveis na tela.


    Os heróis estão reunidos tarde da noite na sala da base de operações, após Jim revelar que descobriu quem contratou o sequestro de Eddie.


- Vocês sabem o que foi o Comitê de Segurança Internacional?


    Qualquer pessoa minimamente informada sobre a Guerra Genética sabe que a ISC foi uma força-tarefa criada por grupos multinacionais de interesse privado que surgiu em 2010 no auge do caos do início da geneatividade, se oferecendo para controlar a situação e obtendo jurisdição emergencial de dúzias de países. Até a fundação da Shock em 2012 a ISC atuou com permissões legais extraordinárias, tendo papel preponderante na imensa quantidade de mortes de geneativos e especialmente de humanos nos dois primeiros anos de convulsão social. Quando a Shock passou a atuar em 2012 nos países da OTAN, os alicerces da Fundação Aurora já começavam a ser estabelecidos e o governo chinês anunciava que tomaria o controle da questão da geneatividade no país. Em 2013 o International Security Comitee perdeu a jurisdição nos últimos países em que ainda podia operar, e foi oficialmente dissolvido sem que a identidade de seus donos se tornasse conhecida em qualquer momento de sua breve história.


- Mas não foi isso o que aconteceu de verdade. Eles continuaram existindo e operando clandestinamente na pesquisa científica sobre a geneatividade em diversos países, e fazem isso até hoje.


- E o que eles querem sequestrando o Eddie? - pergunta Xipil.


- Certamente que eu volte a trabalhar para eles, ou talvez só me matarem por tudo o que sei.


    Perguntado sobre seu trabalho, Jim explica que, quando tinha 32 anos e trabalhava para o MI-6, foi abordado e recrutado pela iniciativa do ISC logo na primeira semana do advento da geneatividade, enquanto o pânico paralisava todos os governos. Jim aceitou o trabalho acreditando estar ajudando a proteger a ordem social do caos, e lá dentro veio a se tornar diretor de operações e posteriormente de tática e logística. Quando a ISC entrou para a clandestinidade, ele se deixou convencer de que o trabalho em pesquisa e desenvolvimento ainda servia aos interesses da humanidade, e seguiu fazendo seu trabalho. Até que, há dois anos, em 2020, ele finalmente se deu conta de que trabalhava para os vilões, e fugiu. Desde então, James Glaston vive como um fantasma no sistema, invisível e indetectável. Cobrando favores muito sérios com a coroa e o serviço secreto da Inglaterra, ele conseguiu que seus dois filhos, Eddie e Laureen, tivessem vigilância e proteção constantes e eficazes o suficiente para que o Comitê não pudesse tocá-los.


- Isso, claro, até meu filho decidir vir morar na Cidade do México com vocês e usar toda sua inteligência para subir em um vôo para cá sem que eu ficasse sabendo. A ISC só precisava de uma oportunidade, e os Blackops fizeram seu trabalho em pleno vôo.


    Perguntado sobre o notebook e o cartão comunicador do Sucata, Jim explica que do cartão ele conseguiu obter as informações sobre a ISC e no notebook só haviam comunicações sobre o sequestro da doutora Shankar. Ao que tudo indica, os Blackops sequestraram mais dois cientistas biomoleculares para a Freedom, e é possível que a localização da base-laboratório para onde eles foram levados seja próxima a Melbourne, na Austrália. Ainda sobre o cartão, Jim explica que encontrou a geolocalização do hangar para onde os Blackops voaram com Eddie após extraí-lo de seu vôo. Jim coloca os dados no GPS militar ao qual tem acesso e a cidade de Paramaribo, no Suriname, aparece no mapa. Jim acessa os registros de filmagem de satélite do hangar e, três dias mais cedo, o avião dos Blackops é visto pousando, com um utilitário deixando o local ermo e rumando para a cidade. Acompanhando sua movimentação e checando o endereço de destino, Jim chega ao Hospital Psiquiátrico Hernan de la Coletta. Uma pesquisa rápida revela que a instituição foi comprada há 3 anos por uma holding multinacional e que, desde então, dispensou ou transferiu todos os pacientes internos e não aceitou mais nenhuma internação. O grupo conclui que só pode ser lá, e que não há tempo a perder. Enquanto Jim Glaston fica na base de operação realizando pesquisas sobre o lugar, Olivia pilota um monomotor alugado, com Xipil, Hal, Paola e Heitor a bordo, rumo a Paramaribo.


    Após pousarem na capital do Suriname, os heróis deixam o hangar particular providenciado por Jim Glaston e se estabelecem em um quarto de hostel a poucas quadras do hospital. Conversando por comunicadores, o grupo recebe de James uma série de filmagens mostrando a movimentação dos funcionários do suposto hospital, e as imagens não podiam ser mais suspeitas, com apenas alguns cientistas, pessoal da limpeza e em dado momento da manhã um homem de cerca de 30 anos com roupas e cabelos no estilo punk.


- Não há câmeras na entrada, nem consigo notar cabos de sistemas de segurança ou qualquer movimentação de guardas. Isso parece muito ser só um laboratório, sem defesas militares relevantes, e isso sugere que eles não esperam um ataque.


    Utilizando uma caneta-câmera fornecida por James, Olivia aborda os cientistas do laboratório em um restaurante do mercado municipal em seu horário de almoço e, empregando seu charme, sua persuasão e seu decote, troca a caneta do bolso do cientista pela sua, dando ao grupo uma vista privilegiada da senha de acesso que ele usa para adentrar o laboratório uma hora mais tarde. É como, vestidos com jalecos e roupas alaranjadas de limpeza compradas no centro, os heróis invadem o laboratório pela porta da frente.


    Heitor se divide em dois, vestindo-se de cientista e de faxineiro, com Hal e Olivia como outros dois cientistas e Paola juntamente com Xipil completando a equipe de faxina. O grupo passa pelo gramado frontal do terreno e segue por um corredor aberto na lateral até a porta de uma copa nos fundos. Adentrando o prédio, os heróis disfarçam de costas conforme o homem de estética punk passa pela copa, pega um refrigerante e retorna para dentro. Seguindo o homem, o grupo se divide, com a equipe de faxina revistando salas a pretexto de limpeza e os falsos cientistas seguindo o corredor onde o punk virou.


    Na primeira sala, os falsos faxineiros contam com o hábito dos cientistas e de uma mulher com jeans, botas e jaqueta de couro, de não olharem para os trabalhadores da limpeza, e assim conseguem recolher uma grande quantidade de papéis do ambiente antes de saírem sem levantar suspeitas. Enquanto isso, virando o corredor, os falsos cientistas passam ao lado de outras portas fechadas e chegam a um elevador. Hal, Olivia e um Heitor chamam o elevador que desce, e quando a porta abre dão de cara com uma mulher de vinte e poucos anos, branca de cabelos pretos presos, usando um uniforme cinza com filamentos metálicos colado ao corpo. Ela pergunta quem diabos os heróis são:


- O pessoal do quartel-general nos mandou para ajudar com o serviço - arrisca Hal.


    Heitor percebe que ela não compra a mentira de Hal. No instante em que Heitor aperta o botão para fechar a porta do elevador, a mulher some em um borrão cinzento e volta pelo corredor em altíssima velocidade pronta para atacar.


    Reagindo por instinto, Heitor empurra Olivia para o lado e, com um movimento de aikido, usa a velocidade da adversária para jogá-la dentro do elevador, aplicando-lhe uma imobilização enquanto Hal fecha o elmo de sua armadura e começa a desferir socos. Os falsos faxineiros, ouvindo a confusão, correm para o corredor do elevador, exceto por Heitor que deixa cinco cópias para trás para revistar as salas enquanto Olivia evacua os funcionários do local gritando que é uma emergência. No corredor, a porta do elevador se abre novamente, e de outra porta sai o punk perguntando o que diabos está acontecendo. Ele rapidamente compreende a situação e, expandindo seus poderes, espalha um brilho marrom-esverdeado translúcido por todo o corredor, deixando o ar mais denso e áspero e preparando-se para atacar. Hal engaja em combate corpo-a-corpo com a velocista e leva a melhor, deixando-a seriamente ferida. Xipil ataca e quase derruba o punk com um cabo de vassoura energizado, e Paola quase mata o punk com suas toxinas, mas se detém a pedido de Olivia e usa seus poderes para apenas induzir sono. Olivia prepara-se para atacar, quando nota que, atrás de si, a mulher de jaqueta de couro da primeira sala acaba de virar o corredor, apontando duas pistolas automáticas de grosso calibre. Olivia salta e se agarra nas grades de ventilação do teto, esticando as pernas para imobilizar a atiradora, que dá um salto mortal para trás, escapando e abrindo fogo. Olivia se estica e fecha todo o corredor, fazendo as balas ricochetearem em seu corpo elástico mas se ferindo no processo.


    Nas salas de pesquisa, as cinco cópias de Heitor reviram bancadas, mesas e gavetas, e saem carregando todo tipo de dispositivo de armazenamento que conseguem encontrar. No corredor, Hal desfere um gancho de esquerda e quase nocauteia a velocista, que percebe que a luta está perdida e, em um borrão de movimento cinza pelo corredor, desaparece com uma enorme lufada de vento, levando consigo o punk e a atiradora.


    Vendo-se sozinhos no prédio, os heróis correm para o andar inferior, onde encontram um grande laboratório bioquímico sem mais nenhum funcionário e sem nenhum Eddie. Enquanto tentam entender o que ocorreu, os heróis ouvem um clique e um grande monitor da sala passa a exibir uma transmissão de vídeo ao vivo. Uma figura com uniforme branco e máscara branca lisa fala com voz feminina de meia idade.


- Saudações, jovens heróis. Então são vocês a mais nova equipe de Jim? Ele está falando com vocês agora? Eu não esperava que ele viesse, mas imagino que possa me ouvir, certo?


    Olivia transmite as falas de James, que chama a mulher de Daydream. Ela, por sua vez, o chama de Clockmaster e diz que sim, eles estão com Eddie. A tela exibe uma filmagem do filho de Jim e amigo dos heróis deitado em uma maca, sedado, e a voz prossegue.


- Você sabe o que queremos, certo? Você volta para casa, se entrega, e entrega aquilo que roubou de nós. Não vou te ofender oferecendo um endereço, Clockmaster, você encontrou essa base e pode encontrar outra. Apenas dessa vez venha sozinho e traga o que é nosso, pelo bem e pela segurança de Eddie, e pelo bem e segurança de Laureen, que ainda está a salvo na Inglaterra mas que um dia cometerá um erro desavisado, como Eddie cometeu. Ah, claro, e também pela proteção desse mais recente grupo de jovens que você aliciou. Espero que eles saibam exatamente com quem estão trabalhando, decepções são muito dolorosas nessa idade. E não demore, você sabe como a saúde de uma pessoa se deteriora quando passa muitos dias deitada sob forte sedação.


    A transmissão termina, e os heróis voltam para a Cidade do México. Na tarde seguinte, eles chegam à base de operação e são recebidos por Jim na sala de reunião, segurando um copo de whisky e com duas malas de viagem prontas ao seu lado. Ele diz que os heróis podem perguntar o que quiserem, e então responde suas perguntas.


    Jim explica que durante oito anos trabalhou como diretor de tática e logística da ISC, tendo sido substituído como diretor de operações pela mulher intitulada Daydream. Durante esses oito anos, a ISC investiu 38 bilhões de dólares em seu mais audacioso projeto, a primeira inteligência artificial generalista, que Jim acreditava que seria utilizada para viabilizar tecnologias para proteger a humanidade. Quando Jim finalmente compreendeu que a IAG, denominada Daedalus, seria utilizada para vigilância, monitoramento e intervenção preventiva sobre potenciais ameaças ao ISC, aquilo serviu como ponto de ruptura entre o espião e seus empregadores. Jim não podia destruir o microchip e o código, por sentir que eram uma ferramenta poderosa demais e que teria aplicações positivas demais para ser desfeita. Então ele destruiu backups e protótipos, e desapareceu como um fantasma, levando consigo o único modelo funcional de Daedalus. Ele próprio não tem os recursos financeiros ou tecnológicos para construir o cluster computacional que Daedalus requer para entrar em operação, e por isso apenas o mantém em um lugar seguro. Finalmente, Jim comenta o que Daydream disse, e revela que, logo que fugiu da ISC, recrutou uma equipe de geneativos, mais velhos que os heróis mas ainda assim jovens, para empreender um ataque que destruiria a ISC. O resultado foi a morte de toda a equipe, e era a isso qe Daydream se referia quando perguntou se vocês sabiam com quem estavam se associando. Ele explica seu remorso e que por isso reluta em enviar os heróis na direção do perigo.


    - E o que iremos fazer agora? Bem, agora nós iremos resgatar meu filho e nos vingar. Porque agora eu sei exatamente quem é meu inimigo, e isso abre possibilidades de ação. O Comitê é extremamente poderoso e eficaz, mas eles têm uma fraqueza e é a convicção de serem inatingíveis. Eu vou mostrar que eles não são.


    James explica que precisa se ausentar, precisa de uma semana para rodar o mundo, cobrar todos os favores que ainda tem e assumir dívidas sobre outros tantos. Se eu não chegar em oito dias, assumam que fui capturado e morto. Do contrário, eu volto em sete dias com um plano. Enquanto isso, tentem não se meter em problemas e nem fazer nenhuma merda, ok?

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